Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do
mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão.
Ela falou comigo:
«coitado, até essa hora no serviço pesado».
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
(Autora: Adélia Prado)
4 respuestas
Uma bela partilha,adoro esse poema
O poema é muito emotivo.
Fala de uma realidade muito presente nas famílias portuguesas até um passado relativamente recente… Uma racionalidade imperante frente ao emotivo e ás expressões de amor. Quizáis, tal como para mim, para muitos/as portugueses seja difícil aceitar essa racionalidade, mas a verdade é que eram outras realidades, para não faltar o pão na mesa hábia que fazer muitos cálculos. Essa é a realidade de um menino órfão de pai criado no norte de Portugal e nascido na década dos 80 do século passado.
Ao ler poesia, as emoções se libertam nas entrelinhas; ela revela muito sobre nós mesmos… e sobre o momento que estamos vivendo.
Tens razão Bert, a poesia é magica, transporta-nos ao passado ou ao futuro reavivando ou antecipando emoções. Também nos pode fixar no presente em função do que estejamos a viver.
Muito sábia a tua reflexão.
Obrigado e muita abundância.